Em 2026, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) continua a ser a bússola científica que orienta a humanidade em sua jornada climática. Este artigo explora os alarmantes recordes de emissões de CO2 em 2025, as projeções para 2026 e os esforços do IPCC na elaboração de novos relatórios que buscam soluções para as mudanças climáticas e a adaptação das cidades.
O ano de 2026 se desenha sob a sombra de um alerta climático cada vez mais urgente. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a principal autoridade científica global sobre o tema, segue em sua missão de fornecer avaliações abrangentes sobre o estado do clima, suas causas, impactos e as opções de resposta. No entanto, os dados mais recentes revelam uma trajetória preocupante, com recordes de emissões e concentrações de gases de efeito estufa que reforçam a necessidade de ações climáticas mais ambiciosas e imediatas.
Recordes Alarmantes: A Escalada das Emissões em 2025
O ano de 2025 marcou um ponto crítico na história climática recente. As emissões globais de dióxido de carbono (CO2) provenientes da queima de combustíveis fósseis atingiram um
patamar sem precedentes, totalizando 38,1 bilhões de toneladas. Este recorde, impulsionado pelo aumento do uso de carvão, petróleo e gás, ocorre apesar dos esforços globais para a descarbonização e os compromissos assumidos no Acordo de Paris.
Paralelamente, as concentrações de CO2 na atmosfera também atingiram níveis alarmantes. Em junho de 2025, a marca de 430 partes por milhão (ppm) foi superada, um recorde histórico que sublinha a intensificação do efeito estufa e o aquecimento global. Para 2026, o Met Office, o serviço meteorológico do Reino Unido, projeta um aumento de 2,37 ppm na concentração de CO2, indicando que a tendência de elevação continua.
Esses números não são meras estatísticas; eles representam a materialização dos riscos climáticos que o IPCC tem alertado há décadas. O aumento das temperaturas globais, a intensificação de eventos climáticos extremos e a ameaça à biodiversidade são consequências diretas dessa escalada nas emissões. A urgência de uma resposta global coordenada nunca foi tão evidente.
O Trabalho Contínuo do IPCC: Ciência para a Ação
Em meio a esse cenário desafiador, o IPCC prossegue com seu trabalho fundamental de síntese do conhecimento científico. Em 2026, a organização está ativamente envolvida na preparação de novos relatórios que prometem aprofundar a compreensão sobre aspectos cruciais das mudanças climáticas e as estratégias para enfrentá-las.
Entre os documentos em elaboração, destacam-se o Relatório Especial sobre Mudanças Climáticas e Cidades, previsto para março de 2027, e os Relatórios de Metodologia sobre Tecnologias de Remoção de CO2, também esperados para 2027. O relatório sobre cidades é particularmente relevante, pois abordará os desafios e as oportunidades para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas em ambientes urbanos, que concentram grande parte da população mundial e são vulneráveis a eventos extremos.
Os relatórios de metodologia sobre remoção de CO2, por sua vez, são cruciais para avaliar o potencial e a viabilidade de tecnologias que buscam retirar o dióxido de carbono da atmosfera, como a captura e armazenamento de carbono (CCS) e as soluções baseadas na natureza. Essas tecnologias são vistas como componentes importantes, embora complementares, aos esforços de redução de emissões.
O último grande relatório de síntese do IPCC, o AR6 (Sexto Relatório de Avaliação), foi publicado em 2023, consolidando o conhecimento científico mais recente sobre as mudanças climáticas e suas implicações. Os relatórios do IPCC são a base para as negociações climáticas internacionais e para a formulação de políticas públicas em todo o mundo, fornecendo uma base sólida de evidências para a tomada de decisões.
O Caminho à Frente: Redução de Emissões e Adaptação
Apesar dos recordes de emissões, a comunidade internacional continua a buscar soluções. A redução drástica das emissões de gases de efeito estufa é a prioridade máxima, exigindo uma transição acelerada para fontes de energia limpa, aprimoramento da eficiência energética e mudanças nos padrões de consumo e produção. No entanto, a adaptação aos impactos inevitáveis das mudanças climáticas também se torna cada vez mais vital.
O Relatório Global de Riscos 2026, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), reacendeu o alerta para os principais riscos globais, muitos deles interligados às mudanças climáticas e seus impactos socioeconômicos 6 . Isso reforça a necessidade de estratégias de gestão de riscos que integrem as dimensões ambientais, sociais e de governança (ESG) nas decisões corporativas e governamentais.
A cooperação internacional, o financiamento climático e a transferência de tecnologia são elementos essenciais para apoiar os países em desenvolvimento em seus esforços de mitigação e adaptação. A implementação de políticas robustas, como a precificação de carbono e o desenvolvimento de mercados de carbono, também desempenha um papel importante na criação de incentivos para a descarbonização.
O ano de 2026, portanto, é um momento de reflexão e ação. Os dados do IPCC e as tendências de emissões servem como um lembrete contundente da urgência da crise climática. A ciência oferece o diagnóstico e as ferramentas; cabe à sociedade global, por meio de seus governos, empresas e cidadãos, implementar as soluções necessárias para construir um futuro mais resiliente e sustentável.



