Biogás e biometano em expansão

Biogás e biometano em expansão

Biogás e biometano entram em 2026 com salto de oferta, marco regulatório e novos projetos em destaque no Brasil

Com crescimento de plantas, metas obrigatórias de descarbonização e São Paulo mirando 700 mil m³/dia, o setor se consolida como pilar da transição energética e ganha protagonismo em eventos e leilões

O biogás e o biometano iniciam 2026 em posição inédita na matriz energética brasileira. Depois de anos sendo tratados como promessas recorrentes, os dois vetores cruzaram um limiar importante em 2024 e 2025, combinando aumento expressivo no número de plantas, novas regras de descarbonização obrigatória, expansão regional e crescente atenção de investidores e formuladores de políticas públicas.
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Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), o número de unidades produtoras de biogás com fins energéticos no Brasil cresceu 18% em 2024, alcançando 1.633 plantas cadastradas. No mesmo período, a oferta de biometano entrou em uma trajetória de alta que pode triplicar até o fim de 2026, com crescimento projetado de 107% em 2025 e 193% no acumulado até 2026.
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Crescimento e números do setor

Relatório da Abegás e de entidades parceiras mostra que a base de plantas de biogás no país é ampla e heterogênea, com unidades em aterros sanitários, usinas sucroenergéticas, propriedades rurais e indústrias de alimentos, muitas das quais ainda dedicadas ao autoconsumo ou à geração elétrica local. Esse universo é visto como um “reservatório” de potencial para conversão em biometano à medida que o novo marco regulatório e as metas de descarbonização entrarem em vigor.
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De acordo com a Abegás, a capacidade instalada de produção de biometano já ultrapassa 700 mil m³/dia considerando plantas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e pode chegar a cerca de 1,5 milhão de m³/dia no primeiro semestre de 2026, somando projetos em fase de autorização. Ao incluir unidades voltadas a autoconsumo e projetos em desenvolvimento, associações como a Abiogás estimam que o potencial técnico total se aproxima de 8 milhões de m³/dia até o início da próxima década.
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Esse avanço se conecta com discussões globais sobre metano e clima. Relatórios recentes mostram que reduzir emissões de metano é uma das formas mais rápidas de frear o aquecimento no curto prazo, o que reforça o apelo de soluções que convertem resíduos orgânicos e efluentes em energia.
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Marco regulatório e metas obrigatórias

Um dos movimentos mais importantes para 2026 é a entrada em vigor da política de biometano vinculada ao programa Combustível do Futuro. Segundo reportagens da Abegás, produtores e importadores de gás natural terão metas de descarbonização a partir de 2026, inicialmente equivalentes a 1% da oferta, podendo chegar a 10% até 2034.
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Na prática, isso significa que parte do gás fóssil comercializado no país terá de ser substituída por biometano ou compensada por meio de Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGOB). O Ministério de Minas e Energia propôs que o CGOB seja o principal instrumento para comprovação do cumprimento das metas, criando um novo mercado de certificados ligado à origem renovável do gás.
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Em outubro de 2025, o MME sinalizou que a meta efetiva para o primeiro ano do mandato, em 2026, poderá ser reduzida para 0,25%, considerando preocupações da indústria com custos e disponibilidade de oferta, mas mantendo o horizonte de ampliação gradual do percentual. Mesmo assim, análises de entidades setoriais indicam que a simples existência de um mandato tende a acelerar investimentos, dando previsibilidade de demanda para produtores.
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Para 2026, outro marco aguardado é a emissão dos primeiros CGOBs em escala comercial, permitindo que plantas de biometano monetizem o atributo ambiental do seu produto e que distribuidores comprovem suas metas de descarbonização. Além disso, o biometano foi confirmado para participar do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026, ampliando as possibilidades de contratação em bases estáveis de longo prazo.

Biogás e biometano em expansão
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São Paulo na dianteira do biometano

O estado de São Paulo ilustra bem a velocidade da transformação em curso. De acordo com reportagem do PortalR3 e nota oficial da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o estado conta hoje com oito plantas de produção de biometano autorizadas, responsáveis por cerca de 500 mil m³/dia, e outras sete unidades em processo de autorização.
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Somadas, essas plantas podem elevar a capacidade instalada paulista para aproximadamente 757 mil m³/dia, o que permitirá ao estado superar, até dezembro de 2026, a marca de 700 mil m³/dia efetivos de produção de biometano. Segundo estudo da Copersucar citado pela Semil, São Paulo já concentra 40% da capacidade instalada de biometano do país e 31% dos projetos de expansão em andamento, com potencial de chegar a 36 milhões de m³/dia no longo prazo.
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Nesse contexto, empresas como a Gás Verde ganham visibilidade como exemplos de operação em aterros sanitários de grande porte, produzindo biogás e biometano em escala industrial para abastecer distribuidoras de gás canalizado e indústrias. A atuação de companhias desse tipo demonstra, na prática, como a recuperação de metano em resíduos urbanos pode se converter em receita, mitigação de gases de efeito estufa e segurança energética regional.
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EVA e a expansão do biogás no agro

No campo, o avanço do biogás como solução integrada para dejetos agropecuários e resíduos industriais reforça a base de matéria-prima para o biometano. Casos como o da EVA Energia mostram como projetos estruturados em propriedades rurais, cooperativas e agroindústrias conseguem transformar passivos ambientais em ativos energéticos, gerando eletricidade, calor e, progressivamente, gás renovável de qualidade para uso veicular ou injeção na rede.
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Webinars e eventos realizados em 2025, reunidos em plataformas como Biogás e Energia, ressaltam que o “legado” do ano foi colocar o tema biogás/biometano no centro do debate sobre agro sustentável, integrando gestão de resíduos, geração distribuída e economia circular. Esse movimento tende a se intensificar em 2026, com mais projetos buscando upgrade de biogás para biometano, especialmente em estados com forte produção de resíduos agrícolas, suinocultura e cana-de-açúcar.
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Eventos e agenda setorial em 2026

O calendário de 2026 também contribui para consolidar o tema na opinião pública e na agenda de negócios. De 14 a 16 de abril, Foz do Iguaçu (PR) recebe o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, que, segundo reportagem do portal O Presente Rural, destaca o “protagonismo” do biometano no debate nacional, reunindo produtores, distribuidores, reguladores e pesquisadores.
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O evento deve aprofundar discussões sobre o funcionamento do mandato de biometano, a emissão e comercialização de CGOBs, a competitividade frente ao gás fóssil e as oportunidades de integração com o setor elétrico, seja via geração distribuída, seja por meio de leilões específicos. Ao mesmo tempo, encontros regionais e setoriais reforçam a mensagem de que biogás e biometano estão deixando de ser nicho para se tornarem parte estruturante da estratégia de descarbonização do país.
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No olhar de empresas que atuam em infraestrutura energética e projetos de baixo carbono, 2026 representa a passagem do discurso para a escala. Em análises internas, a EPP vê o biogás e o biometano como peças essenciais para equilibrar a transição energética, oferecendo soluções firmes e flexíveis para setores em que a eletrificação direta enfrenta limites técnicos ou econômicos.

A avaliação é que o conjunto formado por mandato de descarbonização, CGOB, participação em leilões de capacidade e expansão da base de plantas cria um ambiente de negócios mais previsível para novos investimentos, desde que a regulação seja implementada com clareza e estabilidade. Na visão estratégica da companhia, casos como os de Gás Verde, em aterros, e EVA, no agro, demonstram o potencial de combinar gestão de resíduos, segurança energética e geração de valor em escala regional, algo que tende a se multiplicar em 2026 e nos anos seguintes.
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Para a EPP, o desafio agora é conectar esse novo arcabouço regulatório a financiamentos adequados, modelos de negócio replicáveis e integração inteligente com outras fontes renováveis, de forma que o biometano não seja apenas “complemento”, mas protagonista em cadeias como transporte pesado, indústria e agronegócio.