A importância da biomassa para a matriz energética

A importância da biomassa para a matriz energética!

Atualmente, a geração de energia a partir da biomassa é responsável por 9% da energia do país. Veja as perspectivas de crescimento.

A biomassa é toda fração biodegradável de produtos e resíduos de matérias orgânicas, que pode ser utilizada na geração de energia. Com a crise hídrica, houve uma necessidade de acionamento das termelétricas para suprir a demanda de energia do país.

Assim, no mês de julho, de cada 100 lâmpadas acesas no Brasil, 32 eram geradas a partir de queima de gás, óleo diesel, biomassa, carvão e fonte nuclear. O número é um recorde, e na última década, em apenas três ocasiões as térmicas responderam, sozinhas, por um terço da produção diária de energia.

Embora a participação da biomassa na geração de energia no país ainda seja pequena, o Brasil tem muitas fontes à sua disposição, como resíduos florestais, agrícolas, industriais e da pecuária. Assim, com grande potencial disponível, as projeções de crescimento são otimistas para os próximos anos.

O crescimento do uso da biomassa na matriz brasileira

A biomassa é uma fonte de energia antiga, mas somente depois da crise do petróleo que fontes alternativas como essa começaram a ganhar relevância no Brasil e no mundo. As bioenergias obtidas da biomassa representam 25% da matriz energética, tendo a cana contribuindo com 17% deste total, enquanto os 8% restantes vêm da lenha e carvão vegetal.

Em 2020, as termelétricas à biomassa foram responsáveis por quase metade de toda a geração térmica no mês de maio, segundo o Sistema Interligado Nacional. Essa fonte, cujo principal combustível é o bagaço da cana-de-açúcar, gerou neste mês 4.167 MW, representando 44,25% do volume produzido por todas as térmicas.

Validando o crescimento, nos leilões A-3 e A-4 que ocorreram recentemente foram negociados 4 bilhões de reais em investimentos em fontes renováveis. Foram contratados empreendimentos eólicos, fotovoltaicos, hidrelétricos e termelétricos a biomassa, com início de suprimento previsto para 2024 e 2025.

A biomassa mais utilizada para geração de energia é oriunda da cana-de-açúcar, sendo plantada e processada nas regiões sudeste e centro-oeste. O Mato Grosso do Sul, por exemplo, é um estado destaque de energia de biomassa, oriunda dos setores sucroenergético e do eucalipto.

Desafios para crescimento do setor

O potencial nacional de produção de biomassa é bastante significativo e o Brasil tem condições de aumentar a participação de biocombustíveis no mercado doméstico e internacional de maneira sustentável. O país é reconhecidamente beneficiado pelas suas condições de solo e clima, que permitem diversas fontes de biomassa prosperarem de forma abrangente. Contudo, ainda existem desafios limitantes que impedem o desenvolvimento do setor. Um deles é a falta de incentivos e políticas públicas que fomentem o setor para viabilizar os projetos devido ao custo. Há situações em que o preço de mercado não cobre nem os valores de produção.

Nesse caso, é fundamental entender a importância do uso dessa fonte para além da geração de energia. O uso da biomassa também soluciona problemas de externalidades, como o correto descarte dos rejeitos de indústrias e pecuária.

Outro desafio é a eficiência, que deixa a fonte pouco competitiva, mas que deve ser otimizada conforme o uso de tecnologias que vão ajudar na produção de biocombustíveis. Segundo o Plano Nacional de Energia 2050, há uma clara expectativa em relação à biomassa. É estimado que no ano de 2050 essa fonte tenha um potencial energético de 530 milhões de toneladas equivalente de petróleo (tep), mais que o dobro do consumo energético total atual.

Portanto, o Brasil tem diversas características que o colocam em vantagem na produção de biomassa, falta apenas investimento para que o mercado decole. Se você gostou deste conteúdo e quer se aprofundar, leia o texto termelétricas movidas à biomassa: entenda o crescimento desse modelo.