Quais fatores influenciam no valor da energia?

Quais fatores influenciam no valor da energia

Recentemente o valor da energia aumentou sucessivamente e o impacto já está sendo sentido pelos brasileiros. Entenda os fatores que influenciam na conta.

Você sabe quais fatores influenciam no valor da energia? Em 2020, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) divulgou um ranking que mede o custo da energia para a indústria. O Brasil ficou em sexto lugar no ranking com o custo de R$ 402,26 por MWh. O valor médio é 46% superior ao da média internacional, de R$ 275,74 por MWh.

Se os recentes aumentos preocupam as famílias, imagine o impacto da despesa de conta de energia para empresas e indústrias. Nesse cenário, é importante entender os fatores que influenciam na conta de luz, para tentar contorná-los e diminuí-los.

Quais fatores influenciam no valor da energia?

O primeiro fator que influencia nos custos da energia é a fonte utilizada e suas condições. Atualmente no Brasil 63% da produção de energia vem das hidrelétricas. Assim, criou-se o sistema de bandeiras para disciplinar o consumo, atrelando o preço à demanda e produção.

Na bandeira verde, está tudo normal com a produção. A bandeira amarela sinaliza que as condições não estão tão favoráveis e já há um acréscimo na energia. Por fim, a bandeira vermelha e seus patamares 1 e 2 significam estado crítico, com aumento significativo no valor para tentar impedir o racionamento e desabastecimento.

O segundo fator é a crise. Seja natural ou econômica, quando há qualquer mudança no cenário geral, isso impacta na produção energética. Assim, a falta de chuva ou aumento de consumo pode impactar no custo de energia. No momento, vivenciamos uma crise hídrica, os reservatórios estão baixos e a disponibilidade hídrica não é mais suficiente para manter a produção. Assim, utiliza-se fontes secundárias para a manutenção do abastecimento.

Para o momento, as termelétricas foram ativadas, mas esse modelo de produção é mais caro que o de fonte hídrica. Portanto, espera-se que haja uma oneração de R$ 9 bilhões que será repassado aos consumidores para manter o fornecimento elétrico.

Além desses fatores, o uso individual também impacta no custo final. Por isso, trocar os eletrodomésticos por opções mais novas e com selo Procel pode ajudar em alguns casos.

Como é composto o custo da energia elétrica?

Além de todos esses fatores, os impostos também impactam bastante no custo da energia. Quem determina esses valores no mercado cativo é a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que estabelece o KWh como base de medida. Assim, as contas trazem a soma dos componentes estruturais e operacionais de todo esse processo. Veja como ocorre essa conta no mercado cativo e no mercado livre.

Mercado cativo

A conta de consumidores do mercado cativo é dividida em três grupos: custos de geração de energia, que se refere a 17% do valor; custos de transporte e distribuição, relativo a 53,5% e os tributos e encargos referentes a 29,5%. Em relação aos tributos, eles são divididos em três abrangências:

  • Federal: 0,95% de Programa de Integração Social (PIS) e 4,45% de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS);
  • Estadual: 30% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);
  • Municipal: uma taxa variável estipulada por cada município denominada Contribuição para Iluminação Pública (COSIP).

Mercado Livre

No mercado livre, quem determina os valores da tarifa de energia é a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Desde o início de 2021, o cálculo feito para o mercado atacadista de energia é baseado no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) Horário.

Nesse modelo, o preço da energia é atualizado a cada hora e, todos os dias, informando o preço da energia para as próximas 24 horas, com um valor máximo e mínimo estipulado pela Aneel. Apesar da volatilidade, o modelo traz flexibilidade e mais certeza de que o custo pago é o custo de produção.

Essa forma de cálculo também viabiliza investimento em novos negócios, principalmente os de energia verde. Além disso, o usuário não fica refém das bandeiras tarifárias ou da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD). Com esse cenário de crise e aumentos recorrentes, muitas empresas e indústrias estão migrando para o mercado livre, para manter uma previsibilidade nos custos de energia e optar por fontes limpas e mais baratas.