Quais as perspectivas para o hidrogênio verde?

Quais as perspectivas para o hidrogênio verde?

O hidrogênio verde é uma das alternativas para reduzir as emissões e cuidar do nosso planeta. Entenda as perspectivas desse mercado.

Você sabia que o hidrogênio verde tem três vezes mais energia do que a gasolina e não libera gases poluentes? Esses são alguns dos motivos para que o hidrogênio seja reconhecido como o combustível do futuro.

As mudanças climáticas já estão ocorrendo e trazendo impactos negativos ao meio ambiente e sociedade. As temperaturas já estão 1ºC acima dos níveis pré-industriais, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e uma alta adicional de 0,5ºC pode causar efeitos devastadores.

A descarbonização do planeta é um dos objetivos estipulados por países de todo o mundo até 2050. Com essa urgência, as nações começaram a fazer acordos climáticos, buscando meios alternativos de geração energética, e o hidrogênio verde ou hidrogênio renovável surge como uma opção eficiente para essa transição.

O que é hidrogênio verde?

O hidrogênio é o elemento químico mais abundante do universo. As estrelas, como o sol, são formados principalmente por esse gás, que também pode assumir o estado líquido. Porém, embora presente em vários locais, o hidrogênio raramente pode ser obtido diretamente da natureza. Assim, é necessário um processamento para extrair a molécula de H2 do composto químico.

A eletrólise da água é considerada o método mais viável de se extrair o hidrogênio verde. Por meio desse processo, a corrente elétrica separa o hidrogênio do oxigênio existente na água. Assim, a produção de energia não emite dióxido de carbono na atmosfera. Segundo a Agência Internacional de Energia, se implementado, esse modelo pouparia os 830 milhões de toneladas anuais de CO2 que são emitidos por combustíveis fósseis.

Outro modo de obtenção de hidrogênio ocorre a partir da utilização de biomassa ou biogás. Trata-se de uma boa oportunidade para vários setores produtivos nacionais, principalmente para o sucroalcooleiro e pecuário.

Por essas vantagens, o hidrogênio verde é uma aposta na transição energética e na economia de baixo carbono. Sua utilização no setor automotivo vem crescendo, afirmando-se em países como Japão, Alemanha e Canadá. Essas iniciativas servem para estabelecer padrões de uso que podem ser repetidos em outros países com as tecnologias já disponíveis.

Quais as perspectivas de desenvolvimento dessa matriz?

O hidrogênio verde é uma grande aposta para o mercado de renováveis. Recentemente, Bill Gates, fundador da Microsoft e escritor do livro Como evitar um desastre climático, classificou o combustível como a melhor inovação dos últimos tempos. Contudo, um grande impeditivo para o desenvolvimento é o custo de produção do hidrogênio verde, que, além de ser caro, demanda um gasto energético muito grande.

A expectativa do setor é que a queda nos custos de energia renovável e a melhoria na tecnologia de eletrólise ajudem o hidrogênio verde a se tornar competitivo até 2030, aponta o relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). A Agência acredita que é possível tornar o hidrogênio mais barato que qualquer outra alternativa de baixo carbono, chegando a US$ 1/kg antes de 2040.

Atualmente, comparada a outros processos, sua utilização ainda é muito pequena, representando 0,1% da produção global de H2.O hidrogênio verde pode ajudar a reduzir as emissões líquidas de dióxido de carbono (CO2) em setores que consomem muita energia e difíceis de descarbonizar, como aço, produtos químicos, transporte de longa distância, navegação e aviação.

Como o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, o país pode ser uma potência na produção e exportação do combustível renovável. Especialistas dizem que o país conseguiria produzir o combustível a um custo competitivo tanto para consumo interno quanto exportação para o mercado europeu. O Nordeste, por exemplo, poderia ser ponto estratégico para geração eólica e solar fotovoltaica combinada à rota de saída para Europa.

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